Exames para Câncer Hereditário e Oncogenética: quando a genética pode ajudar a prevenir o câncer?
- Guilherme Lugo
- 14 de jun.
- 4 min de leitura

Receber o diagnóstico de câncer em uma família costuma gerar muitas dúvidas. Quando vários familiares desenvolvem a mesma doença, quando o câncer surge em pessoas jovens ou quando uma pessoa apresenta mais de um tumor ao longo da vida, é comum surgir a pergunta: "Será que existe uma causa hereditária?"
A Oncogenética é a área da Medicina que estuda a influência da genética no desenvolvimento do câncer. Por meio de exames específicos, é possível identificar alterações hereditárias que aumentam o risco de determinados tumores, permitindo que pacientes e familiares adotem medidas de prevenção, acompanhamento e tratamento mais adequadas.
O que é câncer hereditário?
O câncer surge devido ao acúmulo de alterações genéticas nas células ao longo da vida. Na maioria dos casos, essas alterações acontecem de forma adquirida e não são transmitidas para os filhos.
Entretanto, em uma parcela dos pacientes, existe uma alteração genética herdada dos pais que já está presente desde o nascimento. Essas alterações aumentam a predisposição ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer, caracterizando as chamadas síndromes de predisposição hereditária ao câncer.
Entre as síndromes mais conhecidas estão:
Síndrome de Câncer de Mama e Ovário Hereditário
Síndrome de Lynch
Síndrome de Li-Fraumeni
Polipose Adenomatosa Familiar
Câncer Gástrico Difuso Hereditário
Neoplasia Endócrina Múltipla
Síndromes associadas a melanoma hereditário
Síndromes de predisposição a tumores pediátricos
Quais sinais podem sugerir uma predisposição hereditária ao câncer?
Algumas características aumentam a suspeita de que o câncer possa ter uma origem hereditária:
Câncer diagnosticado em idade jovem.
Dois ou mais casos do mesmo tipo de câncer na família.
Múltiplos tumores em uma mesma pessoa.
Câncer de mama em homens.
Câncer de ovário em qualquer idade.
Casos de câncer colorretal ou endométrio associados à Síndrome de Lynch.
Histórico familiar de câncer de pâncreas, próstata, melanoma ou câncer gástrico.
Tumores raros ou incomuns.
História familiar conhecida de mutação genética associada ao câncer.
Um exemplo prático
Imagine uma mulher de 38 anos diagnosticada com câncer de mama. Durante a consulta, ela relata que sua mãe teve câncer de ovário aos 52 anos e uma tia materna apresentou câncer de mama antes dos 45 anos.
Nesse contexto, a investigação genética pode identificar uma alteração nos genes BRCA1 ou BRCA2. Essa informação pode influenciar diretamente o tratamento da paciente, orientar estratégias para reduzir o risco de novos tumores e permitir que outros familiares realizem testes para saber se também herdaram a mesma alteração genética.
Em muitos casos, a identificação precoce de uma predisposição hereditária permite detectar tumores em fases iniciais ou até mesmo evitar que eles se desenvolvam.
Como a genética pode ajudar?
A investigação genética pode trazer benefícios importantes, como:
Identificação de pessoas com maior risco de desenvolver câncer.
Definição de programas de rastreamento personalizados.
Orientação sobre medidas preventivas.
Avaliação do risco para familiares.
Planejamento reprodutivo em famílias com síndromes hereditárias.
Auxílio na escolha de terapias direcionadas em alguns tipos de câncer.
Diagnóstico de síndromes genéticas associadas a múltiplos tumores.
Quem pode se beneficiar da avaliação em Oncogenética?
A avaliação genética pode ser recomendada para:
Pessoas com diagnóstico de câncer em idade precoce.
Indivíduos com forte histórico familiar de câncer.
Pacientes com múltiplos tumores primários.
Pessoas com câncer de mama, ovário, pâncreas, próstata, colorretal ou gástrico com características sugestivas de hereditariedade.
Crianças com determinados tipos de tumores.
Familiares de indivíduos portadores de mutações genéticas associadas ao câncer.
Pessoas que desejam compreender melhor seu risco hereditário e estratégias de prevenção.
Quais exames estão disponíveis?
A escolha do exame depende da história clínica, do tipo de tumor e do histórico familiar de cada paciente.
Entre os exames disponíveis estão:
Painéis amplos para câncer hereditário
Painel NGS para Câncer Hereditário – 144 genes
Painel NGS para Câncer Hereditário – 264 genes
Mama e ovário hereditários
Sequenciamento de BRCA1 e BRCA2
Sequenciamento com MLPA de BRCA1 e BRCA2
Painel para Câncer de Mama e Ovário Hereditário – 16 genes
Painel para Câncer de Mama e Ovário Hereditário – 42 genes
Painel para Câncer de Mama Masculino – 42 genes
Tumores gastrointestinais
Painel para Câncer Colorretal Hereditário
Painel para Síndrome de Lynch
Painel para Câncer Gástrico Hereditário
Painel para Câncer de Pâncreas Hereditário
Tumores urológicos e próstata
Painel para Câncer Urotelial Hereditário
Painel para Câncer de Próstata Hereditário
Tumores endócrinos e neuroendócrinos
Painel para Câncer de Tireoide Hereditário
Painel para Neoplasia Endócrina Múltipla
Painel para Paraganglioma e Feocromocitoma Hereditário
Painel para Tumores Neuroendócrinos e Carcinoma Adrenocortical Hereditários
Tumores do sistema nervoso central e pele
Painel para Tumores do Sistema Nervoso Central Hereditários
Painel para Melanoma Hereditário
Painel para Câncer de Pele Hereditário
Síndromes específicas
Síndrome de Li-Fraumeni (TP53)
Retinoblastoma Hereditário (RB1)
Síndrome de Predisposição ao Tumor Rabdoide
Tumores pediátricos hereditários
Painel para Tumores Sólidos Pediátricos Hereditários
Painel para Sarcoma Hereditário
Painel para Tumor de Wilms
Painel para Linfoma Hereditário
O resultado positivo significa que a pessoa terá câncer?
Não necessariamente.
Uma alteração genética hereditária geralmente indica um aumento do risco, mas não representa uma certeza de que a doença irá ocorrer. O grau de risco varia conforme o gene envolvido, o histórico familiar e outros fatores ambientais e individuais.
Por isso, a interpretação adequada dos resultados é fundamental para evitar conclusões equivocadas e garantir que as medidas de prevenção sejam realmente adequadas para cada pessoa.
A importância da avaliação médica especializada
A investigação genética para predisposição hereditária ao câncer deve sempre ser conduzida de forma individualizada. Nem toda pessoa precisa realizar exames genéticos, e a escolha do teste mais adequado depende da história pessoal, do histórico familiar e das características clínicas de cada caso.
No CEGEMEP – Centro de Genética e Medicina de Precisão, a avaliação é realizada por médico geneticista com experiência em Oncogenética, permitindo definir a melhor estratégia diagnóstica, interpretar corretamente os resultados e orientar pacientes e familiares sobre prevenção, rastreamento e acompanhamento ao longo da vida.
A avaliação médica especializada é fundamental para decidir a melhor forma de iniciar a investigação e quais exames são realmente necessários para cada situação.